Carta Aberta da Evino Contra o Aumento do IPI sobre Vinhos

O BLOG VINHO TINTO APOIA ESSA CAUSA!

 

Aumento_de_impostos_em_2015_sera_inevitavel

Caros amigos consumidores e amantes de vinho,

No dia 1º de Setembro, fomos surpreendidos com o anúncio da publicação do Decreto Nº 8.512, de 31 de Agosto de 2015. O ato normativo altera a tabela de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para, entre outras classes de produtos, bebidas quentes – que incluem o vinho, com efeito cascata expressivo em toda a cadeia.

Basicamente, o tributo que vinha incidindo de maneira proporcional ao número de garrafas importadas, salvo casos de exceção – alíquota conhecida como ad rem – passará a incidir de maneira proporcional ao valor do produto no ato de sua venda – alíquota ad valorem. No caso dos vinhos ditos tranquilos (tintos e brancos), por exemplo, uma garrafa do Mercosul era tributada em R$ 0,73, ao passo que uma garrafa de vinho Europeu era passível de recolhimento de R$ 1,08 em toda a cadeia de valor. Com a nova norma, que entra em vigor em 1º de Dezembro, o importador de bebidas para revenda deverá recolher 10% do valor do produto. Assim, assumindo que ambas as garrafas sejam vendidas para o consumidor final pela importadora pelo valor de R$ 40,00, o tributo incidente passará a R$ 4,00 por garrafa.

Este expressivo aumento de carga tributária sobre os vinhos e destilados, que deve, segundo a Receita Federal, responder por arrecadação extra de R$ 1 bilhão em 2016, onera em muito o setor de importação e produção de vinhos. Como estamos acostumados a assistir, o maior prejudicado será o consumidor brasileiro. O repasse da carga tributária suplementar certamente afetará os preços dos vinhos (que já vêm sendo sensivelmente impactados pela escalada das taxas de câmbio nos últimos meses) e o cliente terá de pagar cada vez mais caro por um produto de determinada qualidade.

Como profissional da indústria, que luta diariamente pela promoção da cultura e consumo da bebida pelos brasileiros, sinto-me profundamente frustrado por empreender em um país onde, do dia para noite, seja publicada uma medida que impacta estruturalmente todo um setor sem avaliação das consequências geradas. Como consumidor, sinto-me lesado por ter de desembolsar cifras cada vez maiores para poder adquirir vinhos em nosso mercado. Como empresário, sinto-me ofendido pelo fato de a medida ser anunciada três meses antes de sua aplicação, como se a dada antecedência fosse suficiente para possibilitar todos os ajustes no planejamento estratégico de uma empresa importadora. O mercado de importação, para os que desconhecem sua dinâmica, funciona a partir de ciclos longos, em que os tempos de trânsito e de nacionalização (em função dos lentos e burocráticos processos administrativos que regem as diversas esferas) são da ordem de meses. Exigir planejamento e reatividade dentro de um trimestre foge à realidade das mecânicas do mercado.

Representantes do setor e, notadamente, a ABBA (Associação Brasileira de Exportadores e Importadores de Alimentos e Bebidas) já vêm se movimentado na tentativa de negociar com o governo alguma redução na tributação. Por ora, todavia, não se tem notícia de nenhuma sinalização no sentido de reversão da medida. A Evino está presente no mercado há cerca de dois anos e meio e tem como propósito maior democratizar o consumo de vinhos em nosso País. Desde o lançamento, a Evino tem concedido aos seus clientes descontos agressivos, trabalhando com margens bastante estreitas, buscando economias de escala, eliminando intermediários da cadeia com importações diretas e reduzindo custos ao máximo, na intenção de oferecer a melhor relação custo-benefício possível. Eis que nos deparamos, neste instante, com um aumento abusivo na carga tributária que o mercado não é capaz de absorver sem compartilhar o custo com o cliente. Quem sofrerá, como de costume, é o consumidor brasileiro, que verá uma escalada no preço sem precedentes. Frente a tal prospecção, vemo-nos na obrigação de nos manifestar contra a medida.

Na esperança de que a competitividade do setor não seja completamente destruída,

Ari Gorenstein

Co-CEO EVINO

O BLOG VINHO TINTO APOIA ESSA CAUSA! 

Comentários
Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest

Quem Sou

Sou jornalista especialista em vinhos e em comunicação digital. Sou sommelier Fisar e diretora da Associação Brasileira de Sommeliers do DF. Possuo qualificação Nível 3 (Wine Spirit Education Trust) e o Intermediário do ISG. Também tenho certificado em vinhos franceses (FWS) e vinhos californianos (CWAS).

Categorias

Veja Também

Atrações WOW para férias em julho

Se você está planejando suas férias em Portugal neste mês de julho, uma visita ao…

Enólogo da Argento Apresenta Vinhos no Brasil

Nesta semana, o renomado enólogo argentino Juan Pablo Murgia, responsável pelos vinhos da Bodega Argento,…

Linha Carmen Reserva Frida Kahlo

Magdalena Carmen Frida Kahlo Calderón, nascida em 6 de julho de 1907, em Coyoacán, México,…

ORO, as adegas que conquistaram os brasilienses

Ter uma boa adega em um restaurante é indispensável. Não dá para caprichar na cozinha…