Rosé de Riceys: o rosado tranquilo de Champagne

Vocês já ouviram falar do Rosé de Riceys? Ele é um vinho rosé raro e prestigiado produzido na região de Champagne, na França. “Des Riceys” é a sua denominação de origem controlada (AOC) que abrange três aldeias localizadas ao sul da região de Champagne: Riceys-Haut, Riceys-Haute-Rive e Riceys-Bas – essas aldeias ficam no Departamento de Aube. Enfim, é uma verdadeira joia enológica por ser o único rosé tranquilo (sem gás carbônico) “oficialmente” produzido em Champagne.

Rosé de Riceys é elaborado a partir da vinificação da uva Pinot Noir. Durante o processo, a maceração é um pouco mais longa e é interrompida no momento exato em que emerge o famoso “gosto dos Riceys”, caracterizado por notas de amêndoas e frutas vermelhas. Essa interrupção voluntária do processo confere a esse vinho uma amplitude aromática e um sabor extremamente refinado, que persiste na boca por um longo período. É considerado, inclusive, um dos melhores rosés da França e pode estagiar tanto em tanques de aço como em barricas de madeira.

Vinho para poucos

Este vinho lendário tem uma reputação que precede sua fama. A história do Vinho de Riceys remonta aos tempos de Luís XIV, o famoso Rei Sol da França. Diz-se que o monarca tinha grande apreço por esse vinho e o desfrutava quando era trazido ao Palácio de Versalhes pelos “canats”, especialistas em fundações de castelos que eram originários da comuna de Riceys. O vinho é  frequentemente mencionado, mas poucos tiveram o privilégio de saborear suas qualidades. É considerado um vinho para  privilegiados, pois sua produção é bastante limitada em razão da pequena área de produção e da quantidade limitada de uvas Pinot Noir disponíveis.

 

Degustando Rosé de Riceys

Tive a grata oportunidade de degustar um Rosé de Riceys trazido para o Brasil na mala por meu amigo francês Bertrand Bebrion, da Vinespumante.  Generosamente, ele compartilhou sua única garrafa comigo e com duas outras especialistas em vinho aqui de Brasília, a Cynthia Malacarne (@cynthia_malacarne) e a Bianca Dumas (@vinhobonzao). Uma garrafa linda, diga-se de passagem, com o brasão da comuna de Les Riceys moldada no vidro. A experiência de degustar um vinho tão raro foi surpreendente e inesquecível. O vinho que degustamos foi o Jacques de France produzido em 2014, ou seja, um rosé de quase 10 anos de idade. A impressão era de estar bebendo um Claret muito bem feito e envelhecido – tanto pela cor do vinho como pelo corpo. As notas identificadas foram as de frutas vermelhas, como groselha e morango, além de chão de floresta, ervas secas, couro e frutas secas, como amêndoas e nozes.  Apreciar uma taça desse vinho é como embarcar em uma jornada sensorial única, reservada apenas para os poucos afortunados que têm a oportunidade de experimentá-lo.Uma experiência ímpar! Obrigada, Bertrand!!!!

Cara de felicidade de quem teve a oportunidade de degustar um Rosé de Riceys – Cynthia Malacarne, Betrand Bebrion, Etiene Carvalho e Bianca Dumas
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Quem Sou

Sou jornalista especialista em vinhos e em comunicação digital. Sou sommelier Fisar e diretora da Associação Brasileira de Sommeliers do DF. Possuo qualificação Nível 3 (Wine Spirit Education Trust) e o Intermediário do ISG. Também tenho certificado em vinhos franceses (FWS) e vinhos californianos (CWAS).

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